
A certeza
De certo modo, eu admirava a sua inclinação pela certeza mesmo diante de eventual objeção, mas jamais deixei de me espantar com o seu senso de evidência, como se tudo pudesse ser previsível: a sua casa, a posição das roupas no armário, a cor de seu terno, a escova de dentes e todos os horários previamente determinados. A bem da verdade, Zé detestava o que fugia ao seu controle. Defendia que o seu instrumento quotidiano era uma medida objetiva, assim como o metro e o centímetro: a palavra. Enxergava esse signo com tanta clareza que dizia ser despicienda qualquer tentativa de interpretá-lo,


